01 — Negócio e Conceitos da Reformadora
O que é uma reformadora?
Uma reformadora é a empresa (indústria) especializada em recuperar pneus usados — principalmente de caminhão, ônibus e uso agrícola — devolvendo a eles condição segura de rodagem através de processos como recapagem, remoldagem ou vulcanização.
Diferente de uma fábrica de pneus novos, a reformadora não parte do zero: ela reaproveita a carcaça (a estrutura interna do pneu, que é a parte mais cara e mais durável) e substitui apenas o que se desgasta com o uso — principalmente a banda de rodagem.
O que é o negócio da reforma?
No fundo, é um negócio de prestação de serviço industrial, não de venda de produto:
- A reformadora não vende um pneu — ela vende a renovação de uma carcaça que já pertence ao cliente (geralmente transportadoras, frotistas ou distribuidores de pneus).
- O cliente manda o pneu desgastado (a carcaça), a reformadora processa e devolve o pneu pronto para rodar, cobrando pelo serviço.
- É um negócio de recorrência e escala: clientes com frotas grandes (transportadoras, ônibus urbanos) mandam lotes de pneus constantemente, o que gera um fluxo contínuo de produção — diferente de uma venda pontual.
- Depende fortemente de confiança e rastreabilidade: o cliente precisa ter certeza de que a carcaça que volta é a mesma que ele enviou (daí o número de fogo, DOT, número de série) e de que o serviço tem garantia.
O que gera receita para a reformadora?
| Fonte de receita | Descrição |
|---|---|
| Serviço principal de reforma | Recapagem, remoldagem ou vulcanização — é a receita-base |
| Serviços extras | Reforço de talão, aplicação de manchão, reparos avulsos — podem ser cobrados junto ou em nota separada |
| Contratos recorrentes de frota | Transportadoras e frotistas que mandam pneus em lote, com contrato de manutenção contínua |
| Venda de matéria-prima destacada | Em alguns modelos (por estratégia tributária), a banda é faturada separadamente do serviço |
| Créditos e garantias bem geridos | Uma política de garantia clara reduz perda de cliente e mantém a recorrência do contrato |
? Quanto maior o volume de captação (pneus recebidos por período) e menor o índice de recusa/retrabalho, maior a margem do negócio — por isso o controle de qualidade em cada etapa é tão importante quanto a venda em si.
O que é bom em uma reformadora (boas práticas)
- Baixo índice de recusa e retrabalho — quanto menos carcaças reprovadas ou pneus que retornam com defeito, melhor a margem.
- Rastreabilidade completa — número de fogo, DOT, histórico de reformas por pneu.
- Controle preciso de consumo de matéria-prima — sem desperdício de banda, cola, coxim.
- Cumprimento das normas do Inmetro — principalmente quanto ao limite recomendado de reformas por pneu.
- Fluxo de produção enxuto e bem sinalizado — etapas claras, chão de fábrica organizado (monovia, etiquetas, cartões de produção).
- Gestão visual do chão de fábrica — saber, a qualquer momento, quantos pneus estão em cada etapa (monitor de indústria).
- Política de garantia transparente — critérios claros para laudo, crédito e reposição.
Objetivos de uma reformadora
- Reduzir o custo do cliente frente à compra de pneu novo.
- Reduzir o impacto ambiental, reaproveitando a carcaça em vez de descartá-la.
- Gerar receita recorrente através de contratos de frota.
- Garantir segurança — um pneu mal reformado é um risco real na estrada.
- Otimizar o uso de matéria-prima e mão de obra, mantendo a margem do serviço saudável.
- Manter rastreabilidade e conformidade fiscal em todo o processo (notas de entrada/saída de carcaça, tributação correta do serviço).
Por que existem tantos parâmetros de configuração?
Os parâmetros (rotinas 29, 33 e outras) existem porque cada reformadora opera de um jeito diferente, mesmo usando o mesmo sistema. Eles servem para:
- Adaptar o fluxo fiscal de cada estabelecimento (código de movimento de entrada/saída da carcaça pode variar de empresa para empresa).
- Bloquear inconsistências antes que virem problema fiscal — por exemplo, impedir que uma OP avance se a nota de entrada da carcaça não estiver autorizada na Sefaz.
- Automatizar etapas repetitivas — como enviar o orçamento direto para a produção, sem passar por uma confirmação manual extra.
- Isolar regras por estabelecimento — uma empresa pode ter várias unidades, cada uma com comportamento fiscal ou operacional diferente.
Em resumo: os parâmetros existem para que o mesmo sistema sirva a realidades operacionais e fiscais diferentes, sem precisar de uma versão customizada para cada cliente.
Quais funções existem dentro de uma reformadora?
| Função | Responsabilidade |
|---|---|
| Vendedor / atendente comercial | Faz o orçamento e a captação da carcaça (rotina 11/419) |
| Operador de chão de fábrica | Executa as etapas físicas: raspagem, aplicação de banda, vulcanização etc. |
| Inspetor de qualidade | Realiza o exame inicial, o exame final e a análise de laudo |
| Gestor / supervisor de produção | Acompanha o monitor de chão de fábrica e os relatórios de produtividade |
| Financeiro / fiscal | Cuida da emissão de notas fiscais, faturamento e regularização de estoque |
| Suporte / TI | Mantém o sistema configurado e resolve problemas operacionais |
O que é um "exame" de pneu?
É a inspeção técnica da carcaça, feita em diferentes momentos do processo:
| Tipo de exame | Quando acontece | O que verifica |
|---|---|---|
| Exame inicial | Assim que o pneu chega na fábrica | Avalia se a carcaça tem condição de ser reformada — furos, desgaste excessivo, avarias estruturais. O pneu pode ser rejeitado já aqui. |
| Exame final | Ao final do processo, antes da entrega | Controle de qualidade da reforma concluída — garante que o serviço foi bem feito antes de liberar para o cliente. |
| Análise de laudo | Quando um pneu já reformado retorna com reclamação | Exame mais detalhado — largura, sulco remanescente, causa da falha (uso incorreto vs. falha no processo) — para decidir entre reforço, crédito ou reposição em garantia. |
Como evitar desperdício de matéria-prima (e como configurar corretamente)
O desperdício normalmente acontece por erro de configuração, não por falta de cuidado do operador. Pontos-chave:
- Configure corretamente o "múltiplo" de consumo na estrutura do item (rotina 39). Erro comum: cadastrar o custo/consumo do rolo inteiro de banda (ex.: 60 kg) sem dividir pela quantidade realmente usada por pneu (ex.: 10 kg) — isso não gera desperdício físico, mas infla o custo registrado e pode mascarar consumo real.
- Use a variação % (mínimo/máximo) na estrutura do item para impedir que o operador informe uma quantidade fora do padrão aceitável — evita tanto desperdício quanto furo de estoque.
- Marque "Exige itens" nas etapas onde o consumo é obrigatório, garantindo que nada seja produzido sem dar baixa correta na matéria-prima.
- Aproveite a troca automática de banda (via medida/desenho/tamanho) no tablet e no coletor — reduz erro humano de selecionar o item errado.
- Acompanhe os relatórios de movimento diverso (459) e de auditoria (842) periodicamente para identificar padrões de consumo fora do esperado.
- Treine os operadores para preencherem corretamente os campos de produção (lote, quantidade real aplicada) — dado impreciso na ponta gera estoque fiscal desalinhado do físico.
Ambientes em que a matéria-prima da reformadora deve permanecer
A banda de rodagem, cola, coxim e demais insumos de borracha são sensíveis a condições ambientais. Boas práticas gerais de armazenamento no segmento:
- Local coberto, seco e arejado — longe de umidade excessiva.
- Ao abrigo da luz solar direta — a radiação UV degrada a borracha (ressecamento e rachaduras).
- Longe de fontes de ozônio — motores elétricos, transformadores, solda e equipamentos que geram ozônio aceleram o envelhecimento da borracha (fissuras superficiais).
- Temperatura estável e amena — evitar variações bruscas de temperatura e proximidade com fontes de calor.
- Longe de solventes, óleos, combustíveis e produtos químicos — contaminam e deterioram a borracha.
- Armazenamento adequado dos rolos de banda — geralmente na posição correta indicada pelo fabricante, para evitar deformação por peso próprio.
- Controle de estoque por ordem de chegada (FIFO) — a borracha tem vida útil; usar primeiro o material que chegou primeiro evita que o insumo perca qualidade antes mesmo de ser usado.
? Isso conecta diretamente com a configuração do sistema: um controle de estoque bem configurado (rotinas 130, 132, 39) só é útil se a matéria-prima física também estiver bem armazenada — de nada adianta o sistema saber "quanto tem" se o material já perdeu qualidade no armazenamento.
02 — Configuração Técnica do Módulo Reformadora
Onde este arquivo se encaixa no fluxo geral
Cadastros de apoio (Medida 988 + Desenho 986) ➜ Item de Produção (482) ➜ Item de Produção por Estabelecimento (39) ➜ Serviço comercial (130) ➜ segue para o artigo 03 — Operação (venda, captação, produção)
Este arquivo cobre tudo o que é feito uma única vez, no início da implantação — antes de qualquer venda ou pneu entrar na fábrica.
1. Parâmetros iniciais do sistema
1.1 Rotina 29 — Parâmetros gerais
| Parâmetro | Descrição |
|---|---|
| 88 – Código de Entrada de Produção | Define o movimento de entrada de insumos (estorno/retorno de etapa) |
| 89 – Código de Saída de Produção | Define o movimento de saída/consumo dos insumos (ex.: baixa da banda) |
| 243 – Controle de Produção (Reforma) | Habilita a aba "Produção" na rotina 130, onde se informa a carcaça e os itens |
| 965 - Bloqueio de OP sem autorização da entrada de carcaça | Impede avanço da OP se a NF de entrada da carcaça não estiver autorizada na Sefaz |
| 991 - Bloqueio de fechamento de OS com restrições na Sefaz | Bloqueia a confirmação se o CNPJ do cliente tiver pendência fiscal |
1.2 Rotina 33 — Parâmetros por estabelecimento
| Parâmetro | Descrição |
|---|---|
| 172 – Entrada/Saída para Captação | Movimento usado na entrada da carcaça (NF emitida pelo próprio reformador) |
| 173 – Entrada/Saída para Devolução | Movimento usado na devolução da carcaça ao cliente (NF de saída) |
| 417 – Inicialização automática da produção | Ao fechar o orçamento (11 ou 419), envia direto para a rotina 714, pulando a confirmação da 707 |
| 548 – Incluir itens recusados no orçamento fechado de produção | Faz o orçamento incluir pneus recusados (com valor zerado) |
1.3 Rotina 288 — Estabelecimentos tipo Reformador
Só aparecem no coletor mobile (1500) e nas telas de captação (rotinas 11/419) os estabelecimentos marcados como tipo "Reformador". Se só existir um estabelecimento desse tipo, o sistema nem oferece opção de escolha.
1.4 Rotina 1125 — Configurações por cliente
Permite personalizar o comportamento por cliente:
- Gerar (ou não) nota fiscal de entrada/saída de captação.
- Destacar serviços extras (ex.: manchão) na nota, com opção de emitir em orçamento separado.
2. Cadastros de produção (chão de fábrica)
2.1 Linha de Produção — Rotina 685
A linha agrupa etapas de um mesmo tipo de serviço (ex.: "Recapagem Goodyear", "Conserto"). Uma empresa pode ter várias linhas.
| Campo | Descrição |
|---|---|
| Nome | Identificação da linha |
| Obrigar medida/desenho/tamanho | Exige esses dados no item de produção — essencial para a troca automática de banda |
| Permite cobrar serviços extras | Habilita cobrança de itens como manchão durante a produção |
| Tipo | Reforma, conserto ou outros |
| Ativo | Se a linha está em uso |
| Estabelecimentos (botão "Itens") | Vincula a linha aos estabelecimentos onde ela deve aparecer |
2.2 Etapas de Produção — Rotina 688
Cada etapa é um posto de trabalho, vinculado a uma linha e executado em sequência numérica.
Exemplo — Linha de Recapagem:
| # | Etapa |
|---|---|
| 1 | Limpeza |
| 2 | Raspagem |
| 3 | Escariação |
| 4 | Enchimento |
| 5 | Preparação de banda |
| 6 | Aplicação do coxim |
| 7 | Aplicação da banda |
| 8 | Envelopamento |
| 9 | Vulcanização |
| 10 | Inspeção final |
Exemplo — Linha de Conserto:
| # | Etapa |
|---|---|
| 1 | Limpeza |
| 2 | Escariação |
| 3 | Aplicação de consertos (manchões) |
| 4 | Enchimento |
| 5 | Montagem / envelopamento |
| 6 | Vulcanização |
| 7 | Exame final |
Principais campos da etapa:
| Campo | Para que serve |
|---|---|
| Título de integração | Nome reduzido, sem caracteres especiais — usado no coletor físico |
| Monitor de indústria | Vincula a etapa a um quadro do monitor de chão de fábrica (rotina 1153) |
| Permite recusa | Define se o pneu pode ser rejeitado nesta etapa |
| Etapa obrigatória | Se não pode ser pulada |
| Etapa avulsa | Etapa fora do fluxo contínuo — o sistema pergunta se deve ser executada |
| Permite itens / Exige itens | Se o operador pode/deve informar itens consumidos |
| Permite solicitar autorização GP | Envia solicitação ao vendedor (ex.: pneu com muitas reformas) |
| Permite troca | Permite substituir o item de produção durante o processo |
| Envia dados para troca / autoclave | Integração com a rotina 1500 (tablet) |
| Etapa que imprime etiqueta | Imprime automaticamente uma etiqueta ao chegar nessa etapa |
| Utiliza logon automático | Exige senha do operador a cada OP que passa pela etapa |
| Grupos de itens | Restringe quais itens podem ser selecionados (ex.: só itens do grupo "Manchão") |
⚠️ Importante: a movimentação de estoque não é configurada na etapa em si, e sim dentro da estrutura do item de produção (rotina 39) — veja seção 3.3.
2.3 Usuários de Produção — Rotina 984
Os operadores de chão de fábrica não usam o login padrão do Mover (rotina 1). Eles têm um cadastro separado, específico para o coletor/tablet.
- Gera usuário e senha exclusivos para o coletor, tablet ou terminal de produção.
- A senha fica visível no cadastro (herança do coletor físico antigo).
- Como cadastrar: botão "Novo" → filtrar um usuário já existente na rotina 1 → vincular uma senha.
Se a empresa opera só por tablet ou coletor, basta o cadastro na 984 + vínculo na 706. Se o processo também for feito direto no Mover (rotinas 708/614), aí sim é necessário um usuário completo da rotina 1 com os devidos acessos.
2.4 Vínculo Usuário × Etapa — Rotina 706
Define em quais etapas cada usuário de produção pode atuar. Se o usuário não estiver vinculado a nenhuma etapa da linha, ele não visualiza as OPs na rotina 708.
3. Cadastro do item de produção (industrial)
3.1 Cadastros auxiliares
| Rotina | O que cadastra | Exemplo |
|---|---|---|
| 988 — Medida do Pneu | Medida (radial/diagonal, informativo) | 1000×20, 1100 R 22, 295/80 R 22.5 |
| 986 — Desenho de Produção | Desenho da banda de rodagem | DVMT1, LVUE, BLX, H12 |
3.2 Item de Produção — Rotina 482
O item de produção é o equivalente industrial do item comercial: não aparece na nota fiscal, serve só para controlar o processo.
| Campo | Descrição |
|---|---|
| Nome | Ex.: "SERV. REFORMA 295/80R22.5 BLX H12" |
| Nome de impressão | Como aparece na ordem de produção |
| Código de fabricação | Pouco usado na prática |
| Tipo de controle | Peso ou Quantidade — na reforma, sempre Quantidade |
| Medida / Desenho / Tamanho | Vêm das rotinas 988 e 986; combinados, permitem a troca automática de banda conforme a circunferência informada na raspagem |
Facilitador de cadastro — Rotina 630: copia um item de produção já existente, alterando só medida/desenho/tamanho — agiliza o cadastro de variações de banda.
3.3 Item de Produção por Estabelecimento — Rotina 39
Equivalente à relação 130×135 no lado comercial.
- Aba Principal: vínculo com a linha de produção.
- Aba Estrutura: tudo que é consumido durante a produção (banda, cola, coxim, fitas de acabamento etc). Para cada item:
| Campo | Função |
|---|---|
| Etapa | Em qual etapa o consumo acontece |
| Quantidade | Padrão de consumo |
| Variação (%) | Tolerância; fora do intervalo, o sistema bloqueia a conclusão |
| Observação | Instrução exibida ao operador |
| Vínculo com campos de produção | Perguntas feitas nesta etapa |
⚠️ Checklist para a movimentação de estoque funcionar:
- Item cadastrado na rotina 130 como matéria-prima, com "Controla estoque" ativo.
- Grupo de itens (rotina 132) com "Permite movimento diverso" marcado — sem isso, o consumo não é lançado.
- Todo consumo vai para a rotina 229 (Movimentos Diversos).
- Periodicamente, a rotina 887 gera uma nota fiscal para regularizar o estoque fiscal com base nos lançamentos da 229.
? Erro comum: cadastrar a banda com o peso do rolo inteiro (ex.: 60 kg) sem dividir pelo múltiplo real consumido — isso infla o custo da reforma artificialmente e pode gerar margem negativa nos relatórios.
3.4 Campos de Produção (perguntas ao operador) — Rotina 989
São as perguntas exibidas ao operador durante o processo (tablet, coletor ou rotina 708).
| Campo | Descrição |
|---|---|
| Descrição | Texto da pergunta (ex.: "Quantidade de recapagens", "Aplica manchão?") |
| Tipo | Texto, Numérico, Data, Sim/Não ou Alternativas |
| Título de integração | Versão reduzida para o coletor físico |
| Mantém o último valor | Reaproveita a resposta anterior na próxima OP |
| Permite alterar valor | Se o valor sugerido pode ser editado |
Vinculação às etapas: dentro da própria pergunta, define-se em qual(is) etapa(s) ela aparece e a ordem de exibição.
Valores/respostas do campo: cadastrados em uma grade vinculada à pergunta (ex.: para "Aplica manchão?" → 1-Sim / 2-Não / 3-Talvez).
? Desvio de fluxo: uma resposta pode redirecionar a OP para uma etapa diferente da sequência padrão. Exemplo: se "Aplica manchão? = Sim", a OP é desviada para a etapa "Aplicação de Manchão" em vez de seguir direto para a vulcanização.
4. Cadastro do serviço comercial
4.1 Serviço comercial — Rotina 130
É o item que aparece no orçamento e na nota fiscal do cliente. Configurações obrigatórias na aba Produção:
| Opção | Descrição |
|---|---|
| Gera ordem de produção | Essencial — sem isso não gera OP na 714 |
| Faz solicitação de produção | Recomendado manter marcado |
| Valida receita de venda | Confere estoque de toda a matéria-prima antes de liberar a OP (pouco usado, pois trava o fluxo em caso de furo de estoque) |
| Item de produção | Código da rotina 482 — faz a ponte entre comercial e industrial |
| Item de captação | A carcaça a ser reformada (mesma medida do serviço) |
| Exige captação | Sempre marcado — sem carcaça, não há como gerar OP |
| Tempo de fabricação | Existe o campo, mas não há controle real de tempo hoje |
| Permite informar lote na produção | Para empresas que rastreiam lote de banda/manchão |
4.2 Tributação — Rotina 135
⚠️ Atenção: o item é um serviço, não um produto — a tributação deve ser configurada como serviço (ISS). Cadastrar como produto gera nota fiscal incorreta para a prefeitura.
Caso raro: um cliente específico emite nota dividida (parte serviço + parte mercadoria) por estratégia tributária — é um desenvolvimento sob medida, não é o padrão.
Ordem recomendada de cadastro (passo a passo)
- Rotina 29 e 33 — Parâmetros gerais e por estabelecimento
- Rotina 685 — Linha de Produção
- Rotina 688 — Etapas de Produção
- Rotina 984 — Usuários de Produção
- Rotina 706 — Vínculo Usuário x Etapa
- Rotinas 988 e 986 — Medida e Desenho
- Rotina 482 — Item de Produção
- Rotina 39 — Estrutura de consumo
- Rotina 989 — Campos de Produção (opcional)
- Rotina 130 + 135 — Serviço comercial + Tributação
03 — Operação e Produção do Dia a Dia
Fluxo coberto neste arquivo
Orçamento (11 ou 419) ➜ Captação da carcaça ➜ Gerar OS → Status Em Produção ➜ Rotina 714 — Confirmar ENTRADA ➜ Chão de fábrica (708 manual, coletor ou tablet 1500) ➜ Rotina 714 — Confirmar SAÍDA
1. Venda e captação da carcaça
1.1 Rotina 11 (ou 419) — Orçamento
Estabelecimentos do tipo "Reformador" ganham a aba "Reformadora". Ao inserir o serviço configurado na rotina 130, o sistema avisa:
"OS possui itens que exigem captação"
Um ícone de pneu vermelho aparece ao lado do item, indicando captação pendente. Ao preencher os dados, o ícone fica verde.
1.2 Tela de captação — dados da carcaça
| Campo | Descrição |
|---|---|
| Regime especial | Usado no RS; hoje é automatizado (a sequência é calculada pelo app de venda) |
| Marca / Modelo | Podem ser cadastrados na hora, direto pelo botão "Add" |
| Número do fogo | Marcação da transportadora para garantir que a carcaça devolvida é a mesma enviada |
| Número de série / DOT | Dados gravados no pneu |
| Observação | Instruções especiais (ex.: "Reforçar talão") — aparece impressa na OP |
| Situação da captação | Ver tabela abaixo |
| Nota já emitida | Opção para quando o próprio cliente emite a NF de captação (exige chave de acesso) |
1.3 Situações da captação
| Situação | Comportamento |
|---|---|
| Padrão | Fluxo normal: vai para a 714, é confirmada e gera a OP |
| Solicitação de laudo | Para pneu que retornou com falha (ex.: banda soltou). Vai para a rotina 1001, fila de análise |
| Reposição em garantia | Pneu sem condições de reforma, reposto sem custo ao cliente |
A rotina 11 permite captar mais de um pneu por vez (basta informar a quantidade), preenchendo os dados pneu a pneu na grade.
1.4 Finalizando o orçamento
Ao clicar em Gerar OS, o status muda para "Em Produção" e a solicitação é enviada para a rotina 714.
2. Entrada e saída na indústria — Rotina 714
A rotina 714 é a "portaria da indústria": toda OP entra e sai do chão de fábrica por ela.
2.1 Confirmando a entrada
- Localizar a solicitação (pelo número do orçamento).
- Confirmar → Executar.
- Isso gera automaticamente:
- Nota de emissão própria da carcaça (rotina 232)
- Nota de entrada correspondente (rotina 139, mesmo número e valor)
- Impressão do cartão de produção / etiqueta
- A OP, já iniciada e visível no chão de fábrica
2.2 Pontos de atenção
- Se o parâmetro 417 estiver ativo, o orçamento vai direto para a 714, sem passar pela confirmação intermediária da 707.
- Se houver pendência fiscal (certificado vencido, restrição do CNPJ), a confirmação é bloqueada neste ponto.
- Ao final do processo, a saída também é confirmada na 714, gerando a devolução fiscal da carcaça.
2.3 Localizando uma OP perdida — Rotina 1011
Ferramenta útil de suporte: permite localizar a OP tanto pelo número dela quanto pelo número do orçamento, mostrando etapa atual, linha de produção, dados da captação e notas fiscais envolvidas.
3. Executando a produção — com e sem coletor
Existem três formas de conduzir o pneu pelas etapas: manualmente pelo Mover (708), pelo coletor físico antigo, ou pelo tablet/coletor mobile (1500). Hoje a recomendação padrão é o tablet.
3.1 Contexto: coletor físico x tablet
| Coletor físico (legado) | Tablet (recomendado) | |
|---|---|---|
| Robustez | Frágil — quebra com frequência no chão de fábrica | Mais resistente |
| Custo/reposição | Alto (equipamento específico, montado com peças importadas) | Acessível, qualquer modelo comercial |
| Tela | Muito pequena — daí o campo "Título de integração" com nome reduzido | Tela normal, sem necessidade de abreviações |
| Acesso a outras rotinas | Precisava pressionar tecla específica para trocar de rotina | Tudo centralizado na mesma tela |
Um cliente do RS chegou a ter 10 coletores físicos quebrados em poucos meses de uso — esse foi um dos motivos que levaram ao desenvolvimento do tablet.
3.2 Processo manual — Rotina 708 (sem coletor)
Usado quando a empresa não tem tablet nem coletor: o operador confirma etapa por etapa direto no Mover.
- Ao abrir a OP na etapa atual, o sistema exibe as perguntas configuradas (campos de produção) daquela etapa.
- Se a etapa permite itens, é possível inserir manualmente o consumo.
- Troca de item de produção: pela 708 é possível trocar manualmente o item (ex.: usar outra banda), mas a troca automática por medida/largura digitada só funciona no coletor e no tablet — na 708 pura, o sistema não troca sozinho, é preciso selecionar o novo item na mão.
- Ao confirmar a última etapa, a OP some da 708 e aparece na rotina 714, aba Saídas.
3.3 Processo com Coletor Mobile (Tablet) — Rotina 1500
Funcionalmente parecida com a 708, mas pensada para uso no chão de fábrica.
Configuração inicial (por tablet):
- Ao logar pela primeira vez, mostra apenas os estabelecimentos do tipo "Reformador" (rotina 288).
- É possível marcar quais etapas aquele tablet específico atende — útil quando há vários tablets fixos, um por posto de trabalho.
- Cada tablet recebe um nome (ex.: "Tablet do Exame Inicial"), que aparece depois nos relatórios de auditoria.
- Permite login de múltiplos usuários simultâneos (abas), com logoff individual.
Recursos disponíveis direto no tablet:
- Buscar OP pelo número ou listar todas as OPs abertas na linha de produção.
- Inserir/excluir itens consumidos e informar número de lote.
- Pular etapa.
- Recusar o pneu direto na tela.
- Retornar etapa (710) e mandar reprocessar (711).
- Fazer troca manual de item.
- Configuração/controle (visual) de autoclaves — iniciar e finalizar o ciclo de uma OP na autoclave. Hoje esse controle é apenas informativo: não há bloqueio caso o tempo padrão não seja cumprido.
Diferente da 708 pura, no tablet e no coletor a troca automática de banda funciona de fato: ao digitar a largura/medida real, o sistema busca na 482 um item com o mesmo desenho e medida compatível com o valor informado e já troca o item de produção sozinho.
04 — Casos Especiais e Relatórios
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1. Situações especiais: laudo, garantia e crédito
1.1 Solicitação de laudo
Quando um pneu já reformado retorna com problema (ex.: banda soltou), a captação é feita com a situação "Solicitação de laudo". A OP não segue o fluxo normal — ela vai para a fila de análise (rotina 1001), onde é possível:
- Registrar a reclamação do cliente e visualizá-la em tooltip na consulta.
- Preencher dados técnicos da análise (largura, sulco remanescente etc.).
- Anexar uma imagem ao laudo (não sai impressa, fica só como registro para auditoria).
- Decidir se o pneu será produzido novamente (reforço/refazer) ou recusado.
1.2 Reposição em garantia
Pneu que não tem mais condições de reforma e será reposto sem custo ao cliente.
1.3 Geração de crédito
Existem duas formas de compensar o cliente:
| Forma | Como funciona | Observação |
|---|---|---|
| Crédito na rotina 717 (recomendado) | Gera um crédito que o cliente usa em uma nova captação; abate o valor total na próxima reforma | A NF de reposição sai com valor menor (ou até zerada) |
| Título a pagar | Gera um título financeiro para encontro de contas | Forma antiga — gerava a necessidade de emitir nota e pagar imposto sobre um serviço que na prática era garantia |
O crédito pode ser total ou parcial, com campo de observação para registrar o motivo (ex.: "pneu rodou sem calibragem correta").
1.4 Recusa de pneu
Ao recusar a OP, o sistema solicita um código de recusa (a maioria das reformadoras tem uma classificação própria dos motivos). O parâmetro 548 (rotina 33) controla se pneus recusados aparecem no orçamento fechado de produção com valor zerado.
2. Estorno, reprocesso e correções
Esse é um dos pontos mais confundidos por quem está aprendendo — a diferença está em se a matéria-prima já consumida deve ou não ser devolvida ao estoque.
| Situação | Rotina | O que acontece com o estoque |
|---|---|---|
| Estorno / retorno de etapa | 710 | Devolve ao estoque tudo que foi consumido naquela(s) etapa(s) — usado quando algo foi lançado errado e não será consumido de novo |
| Reprocesso / retrocesso | 711 | Volta a OP para uma etapa anterior, mas consome a matéria-prima novamente — usado quando o material realmente precisa ser reaplicado (ex.: a banda não colou direito e será substituída) |
| Reabertura de etapas específicas | 1500 (tablet) | Permite reabrir uma etapa específica (ex.: voltar direto para o exame inicial) sem precisar retroceder etapa por etapa |
Regra prática: se o motivo do retorno é um erro de digitação/registro → 710 (estorna e não gasta de novo). Se o motivo é que o serviço precisa ser refeito de verdade → 711 (retrocesso, consome de novo).
| Situação | Rotina | O que acontece |
|---|---|---|
| Foi só um erro de registro (não vai consumir de novo) | 710 — Estorno | Material volta ao estoque |
| O serviço será refeito de verdade | 711 — Reprocesso | Material é consumido novamente |
Quando uma OP é estornada logo na primeira etapa, ela volta para a rotina 707, e é preciso inicializá-la manualmente escolhendo a linha de produção antes que ela retorne à 714.
Também é possível estornar depois de faturado: se a nota de devolução de carcaça já foi emitida e autorizada, mas o processo precisa ser refeito, existe uma configuração para gerar uma nova entrada na produção — o suporte trata caso a caso, conforme a necessidade.
3. Relatórios e monitoramento
| Rotina | Nome/uso | Para que serve |
|---|---|---|
| 842 | Relatório de auditoria da OP | Histórico completo: cada etapa, quem confirmou, quando, quais respostas/consumos foram registrados. Ótimo para investigar reclamações. |
| 813 (também referenciado como 803 na aula) | Resumo geral da indústria | Visão consolidada por período: orçamentos, NF de entrada/saída de carcaça, resumo por cliente (OPs abertas, iniciadas, concluídas, faturadas) |
| 459 | Movimento de estoque diversos | Detalha os lançamentos feitos na 229 (consumo de matéria-prima) |
| 887 | Faturamento de matéria-prima | Gera NF periódica (ex.: semanal) para regularizar o estoque fiscal com base no que foi consumido via 229 |
| 1011 | Localização/consulta de OP | Encontra uma OP "perdida" pelo número dela ou do orçamento |
| 1152 / 1153 | Monitor de chão de fábrica (painel) | Painel visual (tipo TV no chão de fábrica) mostrando quantos pneus há em cada etapa configurada. Atualiza automaticamente a cada ~2 minutos. Requer permitir pop-up no navegador. |
4. Glossário de rotinas (referência rápida)
| Rotina | Nome |
|---|---|
| 1 | Usuários padrão do Mover |
| 11 | Orçamento (venda completa) — aba Reformadora |
| 29 | Parâmetros gerais |
| 33 | Parâmetros por estabelecimento |
| 39 | Item de Produção por Estabelecimento (estrutura/receita) |
| 130 | Cadastro de item comercial (serviço) |
| 132 | Grupo de itens |
| 135 | Tributação do item |
| 139 | Entrada de notas fiscais |
| 229 | Movimentos diversos (consumo de matéria-prima) |
| 232 | Nota de emissão própria |
| 288 | Estabelecimentos tipo Reformador |
| 419 | Orçamento (cotação rápida) — aba Reformadora |
| 427 / 482 | Item de produção (cadastro industrial) |
| 630 | Cópia de item base |
| 685 | Linha de produção |
| 688 | Etapas de produção |
| 706 | Vínculo usuário de produção × etapa |
| 707 | Confirmação intermediária da solicitação de produção |
| 708 | Processo de indústria manual (dentro do Mover) |
| 710 | Estorno / retorno de etapa |
| 711 | Reprocesso / retrocesso (consome material de novo) |
| 714 | Entrada e saída da indústria ("portaria") |
| 717 | Notas de crédito |
| 842 | Relatório de auditoria/histórico da OP |
| 813 (ou 803) | Relatório resumo da indústria |
| 887 | Faturamento de matéria-prima (regularização fiscal do estoque) |
| 984 | Senha de superusuário / usuários de produção |
| 986 | Desenho de produção (banda) |
| 988 | Medida do pneu |
| 989 | Campos de produção (perguntas ao operador) |
| 1001 | Fila de laudo/análise |
| 1011 | Localização/consulta de OP |
| 1125 | Configurações por cliente |
| 1152 / 1153 | Monitor de chão de fábrica |
| 1500 | Coletor mobile / tablet |
5. Perguntas frequentes
Existe reforma para pneu de passeio? Não. Reforma (recapagem) é permitida apenas para veículos de carga (caminhão, ônibus) e agrícolas. A remoldagem, por outro lado, é permitida para passeio, mas segue um processo diferente.
Quantas vezes um pneu pode ser reformado? O Inmetro recomenda em média 4 ou 5 reformas, mas na prática muitos clientes ultrapassam esse número. O sistema guarda o histórico de reformas (via campo de produção "quantidade de recapagens") para apoiar essa decisão.
Como funcionam os serviços adicionais (ex.: manchão)? Depende da política comercial de cada empresa. Podem ser cobrados junto com o serviço principal ou destacados/faturados em nota separada — isso é configurável por cliente (rotina 1125).
Qual a diferença entre item de produção e item comercial? O item comercial (rotina 130) é o que aparece na nota fiscal e no orçamento do cliente. O item de produção (rotina 482/39) é interno, controla apenas o consumo de matéria-prima na fábrica e nunca aparece para o cliente.
A troca automática de banda funciona em qualquer tela? Não. Funciona no tablet (1500) e no coletor. Na rotina 708 (uso manual dentro do Mover), a troca por medida digitada não acontece automaticamente — é preciso trocar o item manualmente.
Qual a diferença entre estornar (710) e reprocessar (711)? Estorno devolve o material ao estoque (não será usado de novo). Reprocesso volta uma etapa mas consome o material novamente, pois ele realmente será reaplicado.
Por que o custo da reforma às vezes aparece muito alto ou com margem negativa? Geralmente é erro de cadastro de "múltiplo" na matéria-prima — por exemplo, cadastrar o custo de um rolo inteiro de banda (60 kg) sem dividir pela quantidade real usada por pneu (ex.: 10 kg), o que infla o custo por reforma.